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domingo, 15 de maio de 2011

Que trem é esse que não pára?


A partir do momento em que nascemos entramos em um trem, em um novo e polido trem. Ele começa a andar pelos trilhos devagar, começa a fazer barulhos, começa a mexer. Sua família está bem, mas cada um em seu trem. Esse aqui é o seu. Você que decide em qual trilho deve passar, ser responsável o bastante para tomar suas decisões. Nesse trem há algumas pessoas mas, no momento, você não se importa com o caminho que elas querem fazer, nem deve. Elas falam, opinam, jogam conversinhas conquistadoras em você. Apenas siga seu caminho, ok? Um fato: essa viajem vai ser longa, talvez uns anos, e o mais importante, sem paradas. Nesse trilho não há estações. Tudo o que você precisa está ali, no seu trem, e tudo o que ele precisa é de você. De tempos em tempos, você sai do primeiro vagão do seu trem (sala de controle), mas você tem um tempo de volta para que não perca o controle, sem descuidos! Segue em diante e vai para o vagão do meio, viajar nas suas idéias.Lembre-se que há pessoas ali. Seus familiares estão ali como base; há aqueles que querem seguir junto, apoiá-lo sempre que possível; há também aqueles que fingem muito bem querer o seu bem e, depois, tomam atitudes semelhantes àquelas de alguém que não deveria estar ocupando espaço em seu vagão. Por último, há uma pessoa em especial nesse vagão, alguém com que você quer passar pelo menos alguns dias da sua viajem com ela. Começa um jogo que meche com sua cabeça, com seus sentimentos. Amor, paixão, raiva, alegria, tristeza, tristeza, esperança, felicidade, tristeza. O tempo vai passando, o seu trem já não é mais o mesmo. Ele vai se desgastando e não há nada que possa consertar o desgaste, são coisas do tempo. Por medo e outro, você pensa e se afasta da pessoa a qual passara dias ao teu lado. Isso não é algo fácil, nada é e você tem que entender isso. Senta em outros bancos procurando por conselhos e buscando a fuga. Começa a contagem regressiva e você tem que voltar à cabine de comando, antes que perca o controle. O percurso até a cabine se distancia cada vez mais. Seu emocional já não está mil maravilhas, não é? Começa a se perguntar “onde eu páro esse trem? Alguém páre imediatamente que eu vou descer!”. A proximidade com a cabine começa a diminuir e você nota que não há como controlar a velocidade daquele trem, muito menos pará-lo. Sua família, a qual está nos primeiros assentos, te direciona e te acalma. Você entra na cabine e se recupera. Fica um tempo relativamente bom lá, se afasta das pessoas e pensa. Apenas reflete sobre tudo aquilo que não tem soluções certas como parar. Idas e vindas para os outros vagões, pessoas diferentes. As lembraças serão sempre as melhores, certo? O tempo continua passando e você percebe que ele é a solução de tudo ali. A ferrugem é natural, não durará para sempre. Nada dura pra sempre. Nós tentamos de tudo para que ela seja conservada, mas ela não vai sumir. A viagem vai chegando no fim. As pessoas começam a desaparecer do seu vagão e você começa a sentir que também irá desaparecer; é a parada final. Ah, outro fato: demora, mas uma hora esse trem há de parar , entenda. Não tem mais forças dentro de você que possam controlar essa viajem. Agora, é só apertar o botão de desligar.



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