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terça-feira, 15 de março de 2016

Um tal de Machado de Assis

Conversei com o Machado de Assis esses dias. Insistiu em me encontrar no dia 31 de Fevereiro, a agenda dele é meio estranha. Eu, mera estudante, estava precisando parar para pensar nas grandes mudanças que estão acontecendo com toda essa tecnologia dos dias de hoje e fui ao Rio de Janeiro tomar um sorvete com ele. Sentamos em um banquinho na praça, ao lado de um casal de velhinhos que estavam de namorico em um domingo à tarde (ele compartilhou um sorriso com eles). Enquanto eu ia degustando meu sorvete, ele foi me contando sobre seus romances, lembrando de suas poesias. Foi o sorvete mais doce que já experimentei. Finalizou com essa: “Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram.”. Nesse momento era eu quem estava sorrindo para o casal de velhinhos.
No decorrer da conversa, toquei no assunto sobre o tal relacionamento virtual que surgiu nesses tempos para cá. Aliás, tive que balancear minhas palavras em nossa conversa para evitar que ele saísse correndo ou tivesse um “tréco”. (Ele pediu para eu explicar o que era “tréco”).
Sutilmente, fui falando sobre os vários casos que existem de pessoas que começam a conversar e compartilhar informações sem nunca terem se visto. Falei até sobre uma pesquisa que li esses dias de duas psicólogas. Um trecho está aqui: 
“Na categoria solidão, nota-se que as participantes encontraram na internet um meio de fuga da realidade, tentando buscar um divertimento, um consolo, uma forma de aliviar suas carências afetivas".
“Fuga de Realidade”. Nessa hora, Machado arregalou os olhos e não se conformou com tal fato. Logo ele! Um homem literalmente realista! Desculpe, leitor passante, mas eu concordo inteiramente com ele. Toda essa pesquisa me mostrou que, a cada dia, está mais fácil nos comunicar através desses meios rápidos, mas fugir da realidade, acreditar em alguém que você nunca viu? Não. Apesar de concordarmos um com o outro, tentei explicar a ele que as pessoas possuem esse sentimento exatamente pelo motivo de estarmos dando prioridade as coisas materiais e tecnológicas ao invés de presenciar momentos únicos com as pessoas que amamos. Notei que ele foi ficando quieto diante as coisas que ouvia. Fui mudando de assunto, pois já estávamos conversando há horas e eu não queria deixar ele mais desconfortável. Levantamos do banco, ele apertou as mãos do casal que ainda estava ali vendo o tempo passar e fomos embora.
No silêncio do caminho que fazíamos a pé, notei que, assim como o grande Machado que estava ao meu lado, sou a totalmente favor de relacionamentos presentes. Quem é o “virtual” perto de sentir o batimento do coração em um forte abraço, de olhar no fundo dos olhos, de conviver todos os dias com quem amamos? Você conseguiria ter um relacionamento assim?
Encerramos ali. O coração dele batia lentamente.


domingo, 24 de março de 2013

"Faça um poema sobre a sua personalidade"

É isso mesmo?

Sobre uma coisa eu tenho certeza
Fazer perguntas é a essência
Eu te amo, mas não sei o quanto.
Ou será que eu não te amo?
Não! Isso deve ser fraqueza.
Quando você mente
Eu me perco na ilusão de te achar decente.
Não tem cura pra toda essa loucura?
Será mesmo que sou louca?
Deveria gritar até ficar rouca
Valorizariam mais o sentimento
Acabaria todo esse sofrimento
Mas eu estou sofrendo?
Incerteza de te amar
Decisão de te esquecer
E eu continuo me cercando
Em perguntas até morrer
Acho que eu amo você...

sábado, 13 de outubro de 2012

Proposta de redação: Amizade

Falar sobre amizade parece algo comum demais, pelo menos para mim. Realmente, não tem graça falar sobre isso, assunto comum e óbvio. Pessoas não sobrevivem sozinhas pelo único fato de não conseguir fazer nada sem ter uma base afinal, o que é certo e o que é errado? Se não tiver alguém para colocar ou tirar seus limites, você não faz nada. Pode até fazer, não estou tirando sua capacidade de tomar decisões e sim, mostrando que, primeiro, alguém tem que te mostrar como se faz isso.
O primeiro contado social que temos é com a família e é exatamente essas pessoas que vão dizer o certo e o errado, a cultura do ambiente o qual você fará parte e quem é você. A questão é que o tempo passa e, por mais óbvia que essa frase seja, assim como esse assunto, sabemos que é inevitavelmente necessário que nos adaptemos a isso. Sua existência torna-se meramente desconsiderada pela sociedade até você interagir socialmente com ela e, quando menos espera, está se comunicando. Comunicação gera a tal da amizade que todos falam, mas tenha cuidado. O dançar excessivo em relação a essa comunicação faz com que pessoas se tornem desnecessárias e interesseiras, o que, mesmo podendo prejudicar, faz você crescer e amadurecer perante os desafios da vida, perante os outros. A questão principal de toda essa relação com o outro é a mutualidade de se abrir,de desabafar, de contar seus problemas, seus gostos, sua vida. O ser humano necessita disso, necessita que alguém esteja ao seu lado para conversar, opinar e viver momentos juntos. Viver sozinho não tem graça e não é preciso passar por isso para saber que é algo desesperador. Queremos e precisamos de pessoas ao nosso redor nos fazendo rir, nos fazendo pensar, nos mostrando o bom da vida e compartilhando isso com mais e mais pessoas. De que seria o mundo se não a interação social? Nada. Quer dizer, pode-se considerar um planeta mudo de sete bilhões de habitantes malucos que quebram tudo e possuem um objetivo único: se matar. Deixarei você escolher, agora que sabemos que você pode fazer isso. A segurança que o amigo te passa é a mesma necessária para guardá-lo debaixo de sete chaves, assim como na “Canção da América” de Milton Nascimento, a qual concordo intensamente. Se for necessário, inevitável e sem validade, guarde-o da forma mais intensa existente, pois o amigo verdadeiro é aquele que, mesmo ausente, estará dentro da sua mente, dentro do seu coração, dentro da sua vida.

domingo, 7 de outubro de 2012

Complicação insubstituível

Insubstituível, isso não existe. Por mais duro que seja dizer isso, ouvir isso, é a mais pura verdade. É inevitável, você substitui coisas, gostos, ideias, amigos, pessoas, pessoas... Enquanto está vivendo algo, você pensa em nunca abandonar, você deixa ser dominado por um órgão oco que tem como função bombear um líquido que chamam de sangue de forma que isso faça você viver. Complexo, não é? Como assim você muda sua forma de pensar, algo que vem de impulsos nervosos, através de algo "oco" que faz esse sangue circular? O racional se torna, se torna, se torna o que? Por um momento, a decisão está tomada e você tem algo certo na mente, algo que pensou e disse que não vai acontecer e...aconteceu. Essa semana me disseram que eu penso muito. Pensar muito era a última coisa que eu imaginei que seria um problema. O problema é que a maioria não pensa então você acaba se tornando alguém diferente, será que é isso? Não digo que as pessoas são ignorantes porque todos nós somos, mas digo no sentido de que pessoas agem por impulso, sem medo, sem se colocar no lugar do outro e eu realmente me importo com a opinião do outro. A explicação da vez foi, que se eu pensar muito, não vivo. Realmente, se você for reparar nas calorias de tudo, você não come chocolate, não bebe coca-cola, ou seja, sua vida será uma merda e você vai morrer do mesmo jeito. Afinal, nascemos pensando na morte e isso é horrível. É, talvez eu pense muito. Os cinco sentidos que nosso corpo tem existem por dois motivos simples: te dar prazer e te confundir. Se pensarmos bem, a confusão também é prazerosa. Sim, essa sou eu pensando demais novamente. Quando preciso de chocolate, eu como. Quando eu preciso de você, eu escondo. Agora me expliquem o porquê disso. Essa é a cabeça cancelando os sentidos sem eu pedir. Está aí a arte de pensar e não fazer nada por impulso, afinal você não sabe de nada, não conhece o chão à sua frente. E se for um buraco? E se quebrar o gelo bem ali? E se..? E se..  Muitas possibilidades precisam aparecer para fazer você pensar, mas mesmo assim tem aqueles que não querem pensar nisso e acabam correndo um risco gigante. Vamos com calma, são pessoas aqui, pessoas que se machucam, pessoas que possuem medos, pessoas que também pensam. Escolhas são escolhas, cada um tem a sua, mas se os sentidos se juntarem e baterem lá naquele "órgão oco", não posso dar certeza se fará eco ou não. Esse eco é complicado, está complicado...

domingo, 1 de julho de 2012

Ponto de interrogação

Quantas vezes comecei a escrever e apaguei com medo, com receio e sem motivos. Queria poder te dizer as várias vezes que cliquei em seu nome esperando que saísse alguma palavra espontânea, sem ter que pensar muito, sem ter que ficar esperando loucamente sua resposta. Sim, algumas poucas vezes eu conseguia e são dessas que me arrependo. Você diz coisas que eu, por mais tola que seja, sei que são só palavras e por trás disso só há um grande e vazio espaço. Por que, nessas poucas e simples palavras suas, eu não consigo acreditar e me cerco ainda mais com as minhas perguntas desnecessárias? Eu me cerco com aquilo que acho que passa por sua cabeça, mas será que passa? Será que o que você diz realmente é verdade e que você sente minha falta, que quer me ver? Não, sei que não. Se o pingo de esperança que ainda resta em mim respondesse, diria que eu poderia continuar correndo atrás, que eu poderia e deveria mandar uma sms pra você perguntando se você está por perto. Depois de muita provocação desse pingo, eu mando e me arrependo mais uma vez, pois você responde coisas que amolecem meu coração e enlouquecem minha cabeça. Não dá para pensar nessas horas, a razão some e eu acredito. Certamente o problema é esse, eu acredito em tudo. Preciso de um mundo onde não há enganações e as pessoas são limitadas a falar a verdade, exceto em momentos em que a mentira seja por causas boas. Mas falo do momento em que se olha nos olhos da pessoa e diz exatamente o que você sente. Queria poder te ligar agora e dizer tudo, sem medo do depois, sem medo do que falaria de mim, sem medo de você, mas acontece que nem dizer o que eu sinto eu consigo. Aliás, eu sinto tudo isso mesmo? Não tenho motivos, não tenho argumentos para provar que sinto algo por você e sei que tudo isso que estou dizendo é loucura. Os pouquíssimos momentos que passei ao seu lado faz meus olhos brilharem quando te encontro, faz eu ficar pensando em você, faz minhas pernas tremerem, faz eu ficar assim. A cada mensagem que te mando é uma promessa nova de nunca fazer isso novamente. Parece que quanto menos você se esforça pra mudar algo, mais preciso de você, mais quero você por perto. Não! Não quero e não preciso. Preciso? Não sei de mais nada. Quem sabe mais pra frente, quem sabe as coisas mudem, quem sabe..(esse pingo só me provoca). Enquanto isso, vou levando toda essa bagunça. Agora sim, prometo por escrito que vou tentar esquecer, prometo não te procurar, prometo tentar...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Quem se importa...

Assim como eu, sei que tem muita gente por aí que demonstra o que sente através de palavras. Percebi que quando eu falo com alguém sobre o que há dentro de mim, acabam não entendendo, distorcem tudo o que eu disse e começam a me olhar com outros olhos. É exatamente isso que me fez tentar de outra maneira, dessa maneira. As pessoas falam, falam, falam. Mas será que acabam dizendo o que realmente planejaram dizer? A dificuldade acaba se tornando, muitas vezes, em uma pequena fama de que você não tem sentimentos, de que você não se importa. Confesso que erro muito em relação a isso. Costumo pensar coisas das pessoas sem ao menos deixá-las tentar se expressar melhor, é natural, porém há muitas delas que nem se esforçam para isso. Elas falam coisas pequenas como se estivessem fazendo o mínimo, nada que diferencie elas do resto do mundo, e acabam persistindo na ideia de que ninguém quer enxergá-las. Por que? Por que não tentar demonstrar de outras maneiras? Mesmo que seja difícil dizer, tente. Demonstre de outras formas que você não está sendo uma pessoa falsa, que você realmente se importa e não quer somente usar o outro. Talvez fizeram muito isso com você e o 'fazer com os outros' seja sua fuga, mas não faça. Entretanto, há aqueles que falam muito querendo parecer verdadeiro. Esses me enjoam ainda mais. Não demonstrar tanto eu até entendo que pode ser complicado, difícil, mas fingir demonstrar demais se torna ridículo. Identifico-os como aqueles que não conseguem olhar nos olhos da pessoa ao dizer qualquer coisa. Falam por falar, fazer por fazer. Quem se importa? É, quem se importa...

domingo, 4 de dezembro de 2011

Caras e Bocas


É engraçado ver o modo como cada um age, com suas próprias diferenças, suas caras. A pessoa mostra aos outros apenas uma. Mal sabe ela as mil que tem. Não quero, nem estou, dando indiretas aqui, até porque todos nós somos assim e tenho consciência disso. Minhas amigas falam que eu sou toda meiguinha, que faz o melhor pra todos, sem maldade. Realmente, faço. Se alguém chega perto, sorriso. Se alguém chora, eu pergunto pra poder ajudar. PORÉM tem hora que eu penso se eu preciso mesmo fazer aquilo ou se é só ignorar.

Esses dias eu confirmei que uma menina me irrita profundamente, não pelo o que faz comigo, e sim pelos outros. Se eu falo mal dela? Dá até dó. Ah, quem não fala mal, né? Fico irritada, não quero papo com ela, não preciso dela. Mas se uma hora ela vier falar comigo, me dar um simples 'bom dia', me pedir algo emprestado.. eu respondo, dou bom dia e empresto. Dá pra entender? É errado fazer isso? Podem até me achar falsa por isso, mas eu faço isso como se eu não tivesse encasquetado com ela. Essa deve ser umas das minhas caras..

START

As vezes, no auge de sua tolerância, a vontade de sair matando todos os que te incomodam, todos os que não aparentam ser necessários em seu dia, é simplesmente muito clara. Mas para sua tristeza, a realidade não é prazerosa o suficiente em nos 'deixar' fazer essas coisas, cometer esses erros. Claro, não queremos passar por meros assassinos, queremos?
Solução: tente refletir e se acalmar. Caso não ajude, ligue a televisão e vá jogar videogame.

Minha instável empolgação

Ter que ouvir alguma música para escrever não é um problema, muito menos algo que incomoda. Pessoas te incomodam, música boa não. Ela tem que ser exclusiva e ouvida várias vezes, é claro. Escrever é algo que exige tempo, não três minutos. Não consigo, desculpa. Se você consegue, parabéns, você é altamente desenvolvido por isso, em? Até colocaria o nome da música aqui, mas realmente isso não é útil. Apenas leia. Jeito é jeito, esse é o meu. Jeito dá-se em tudo, não é mesmo? Veja bem, nós tentamos dar jeito em tudo, nem sempre dá certo. A falta de sorte é uma das coisas que mais atrapalha, mas quando a sorte aparece, corre corre e aproveita o momento, não é? As pessoas também atrapalham. Muitas ajudam e muitas atrapalham. No dia em que você acorda com o pé errado, alguém surge e coloca uma pedra no seu caminho, te faz tropeçar, acredite. Se você não cair, vai sentir pelo menos uma pisada no seu pé. São as mais competitivas. Entretanto, há aquelas que dão aquela varridinha no seu caminho, retribua. Quando é o pé certo, haja ser humano pra tanta bondade, em? Tem gente que consegue entrar no BBB e tem gente que não consegue. Sorte. Azar. Vem e vai. Realmente eu não sei ao certo o assunto desse texto, apenas soltei os dedos no teclado. Minha instável empolgação.

Opressores


Quando pensamos em reino lembramos de passado, história, onde existia o poder do opressor sobre os oprimidos. Comecei a pensar nessa palavra de outro ponto de vista, do meu ponto de vista. Por um momento, considere-se Rei, sendo sua cabeça tudo aquilo que você terá que controlar. Parece fácil. Talvez fosse até mais simples naquela época, onde as oposições não eram sua própria consciência, onde você não precisava ouvir todas as opiniões. Já agora, você tem que agir diante as suas pequenas e insuportáveis perguntas, as quais ficam martelando em sua cabeça, bem no centro do seu "reino". Afinal, seu principal objetivo é tomar decisões, sendo elas certas ou erradas.

Na maioria das vezes eu perco o controle e só penso no que os outros pensam, esqueço de mim, esqueço que eu sou a 'rainha' e que não devo ligar para o resto. Isso realmente não é legal. Parece um sistema de fuga, ou pode até ser mesmo. Mas fuga? Fuga de que? Fuga de ser quem eu sou? Por mais certa que seja minha decisão, acabou pensando nos outros, na opinião alheia, em tudo menos em mim. Os desvios, por bons ou ruins que sejam, começam a se tornar desesperadores a ponto de eu começar a misturar os sentimentos; conseguir ficar triste e feliz por um mesmo motivo. Estranho? É loucura sim, mas acontece. As paredes vão começando a se aproximar e tudo acaba se tornando maior, até que você se acostuma com isso. Acostumar não é uma boa solução, visto que não resolverá em nada, mas é um alívio pra sua cabeça, pra sua vida.

Nós achamos que temos controle sobre nossas vidas, parece óbvio, mas lembre-se que nós ACHAMOS.